quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Luxembourg

LUXEMBOURG
Pronuncia-se “lucsambur”

Terminando de descer o Quartier Latin, você chega ao Luxembourg, um bairro tranqüilo e pacífico, onde a vida parece passar mais lentamente. Encontra-se nas metades sul dos arrondissements 5 e 6 (ver no MAPA). Seus pontos altos são o Jardin du Luxembourg (um parque para deixar a vida passar bem devagar), o Palais du Luxembourg (sede do Senado francês) e a igreja de St. Sulpice (aquela do Código da Vinci).

E foi o que fizemos. Mas antes, terminando de descer a St. Michel, resolvemos usar o cartão de telefone para ligar para casa e descobrimos que ligar de Paris para BH é uma das coisas mais baratas da história da telecomunicação mundial. Compramos um cartão de 7 euros (eu acho) e, ao todo, falamos por mais de hora. Entramos numa cabine telefônica ali e a Nanda ficou uns 20, 30 minutos conversando em casa e se atualizando das notícias, repercussões e bafões do nosso casamento, que tinha sido há apenas 3 dias. É a linha Paris-BH da fofoca!

Aproveitamos a parada e compramos uma água num mercadinho ali também. E foi então que descobrimos que água mineral em Paris é ruim pra dedel! Aliás, a água em Paris é ruim pra dedel. No hotel a gente toma a da torneira mesmo e ela já tem um certo gostinho; mas a mineral que a gente comprou era horrível! Dizem que é porque a água é enriquecida com magnésio, enxofre ou sei lá o quê. Só sei que na escola francesa eles devem ensinar às crianças: “propriedades da água: incolor, inodora e intragável”. Porque insípida não é! Agora dá pra entender porque os parisienses abastados tomam água Perrier: não é metideza, é necessidade mesmo. Agora, brasileiro que toma, esse eu ainda não captei. Mas vamos ao que interessa.

Jardin du Luxembourg

Vindo do Quartier Latin, você chega pela entrada sudeste desse parque que é a própria ode à preguiça parisiense. O parque é realmente bem bonito, com bastante verde. Mas o que mais vi gente fazendo ali foi o exercício do ócio mesmo. Nada de caminhadas, corridas, esportes... nem mesmo um baralhinho ou dominó. A arte do fazer nada reinava no local. Vários bancos e cadeiras são espalhados pelo parque e o pessoal, não contente em ficar sentado, ainda puxava uma cadeira para poder esticar as pernas. Foi a deixa perfeita pra gente dar uma descansada nos pés cansados. O da Nanda acho que ainda não está 100% recuperado até hoje. AQUI tem um vídeo da preguiça generalizada.


Nanda no Jardin du Luxembourg


O esporte nacional do Luxembourg

O parque, segundo dizem, é o mais popular de Paris (mas eu acho o Tuilleries bem mais bonito) e ali há um café com mesas ao ar livre, quadras de tênis, um apiário. Outro ponto considerado importante do parque é a Fontaine de Médicis, um lago de peixes dourados ladeado por árvores, onde as pessoas ficam sentadas às margens para... não fazer nada. Slow travel total! E os limites norte dos jardins são recortados pelo Palais du Luxembourg e seus canteiros. Antigamente o parque nada mais era se não os jardins do palácio, até que no século 19 foi aberto ao público.


A Fontaine de Médicis


Os canteiros do Palais

A entrada no parque é gratuita (nem precisa de PMP) e o uso das cadeiras da preguiça também! O seu horário de funcionamento varia de acordo com a época do ano, porque ele acompanha o dia. Abre às 7h30 da manhã e fecha ao anoitecer. Em agosto era de 7h30 às 20h15. Apesar de quê, às 20h15, em agosto, não havia ainda nem sombra de escurecer. Vou mostrar isso melhor quando falar das Tuilleries.

De acordo, com a placa, em agosto, abetura às 7h30 e fechadura às 20h15
Palais du Luxembourg

Exatamente atrás do Jardin du Luxembourg (na verdade, delimitando-o) fica o Palais du Luxembourg. Foi o palácio real até a época da revolução, depois foi usado como prisão, na Seguda-Guerra foi quartel-general e abrigo anti-aéreo. Hoje é a sede do Senado francês. Não é nada de mais, mas está no seu caminho entre o Jardin e a St. Sulpice. Não custa olhar para o lado e ver. Para mim, ainda tinha o gostinho de ser justamente o Senado, onde eu havia acabado de ingressar (no brasileiro, é claro!). E eu pude olhar, ver e dizer: o nosso é mais bonito!


Senados: o deles...

... e o nosso: muito mais bonito!
No caminho entre o Palais e a St. Sulpice duas coisas me chamaram a atenção. A primeira foi que vimos uma fonte de água com cara da época do Romantismo. Mas não tive as caras de beber não. Essa água parisiense já estava deixando minha língua anestesiada. A outra foi que vimos alguns carros pichados na cidade. Achei isso o cúmulo do vandalismo. Será que é isso mesmo? Pichadores atacam os carros em Paris? Fiquei até com saudades dos nossos, bárbaros tão respeitosos.

Com essa água ruim aí dentro, tinha que ter essa cara feia mesmo!

Saint-Sulpice

Ao passar em frente ao Palais du Luxembourg e virar à direita na primeira rua (Garanciere), você chega aos fundos da Igreja de Saint-Sulpice. Mas a igreja é tão grande e imponente, que, ao ver os fundos, você já acha que se trata dela toda. E ainda a acha grande. E é mesmo! Essa impressão pode ser vista nesse vídeo AQUI. Atentem para um detalhe no vídeo: enquanto eu mostro a impressionante vista inicial da igreja, a Nanda não perde tempo e manda: “eles deviam lavar, né?!” hehehehehe.... Mas se a igreja demorou mais de um século (mais precisamente 134 anos) para ser construída, imagina como seria para lavá-la? Quando conseguissem chegar na parte da frente a de trás já estaria toda suja de novo.

Nanda e a St. Sulpice - uma lavadinha caía bem, né?!
A igreja ficou ainda mais conhecida após o livro e o filme “O Código da Vinci”. É nessa igreja que o monge entra em busca de uma pista do Santo Graal, quebra o chão no ponto onde passa a linha meridiana (supostamente o vestígio de um templo pagão) e mata uma freira. Por conta da referência na obra, obviamente, houve um aumento do número de turistas na igreja, o que obrigou o pároco a colocar um cartaz desmentindo algumas falsas informações, como a do templo pagão e de que as letras P e S nas suas janelas não significam Priorado de Sião, mas Pedro e Sulpice, os padroeiros da igreja. Mas continua um tanto de gente indo a essa igreja só para ver a linha meridiana, as letras P e S e – agora – o cartaz do padre! É mole?

É só quebrar aí para adentrar um misterioso templo pagão. 
Mas cuidado: se você falar Maria Sangrenta três vezes ela aparece por ali.
Por sorte, quando fomos não havia turistas identificáveis lá dentro (só nós!). E o fato é que a igreja é muito bonita e impressionante. Sua nave central é muito grande, o altar é bem luxuoso e nos fundos há um órgão de tubos gigantesco. Além disso, a igreja possui várias capelas laterais que não deixam nada a desejar a muita igreja inteira. Inclusive nós assistimos à missa numa dessas capelas, e foi aí que percebemos que a missa é universal mesmo. Quer dizer, eu já sabia disso, mas nunca tinha vivido isso. Além de a liturgia da palavra ser idêntica em qualquer lugar do mundo (as leituras que se escuta no Brasil em determinado dia são as mesmas da França, dos EUA, da Austrália), quem está acostumado com o rito da celebração não precisa entender nada da língua em que a Santa Eucaristia está sendo celebrada. Muito bacana isso. A gente deu a maior sorte, chegamos na igreja às 18h50 e percebemos que ali num cantinho estava rolando uma movimentação com cara de que alguma coisa ia acontecer. Não foi difícil perceber que uma missa estava para começar. Sentamos lá e participamos normalmente da missa, como qualquer francês da vizinhança, e acompanhamos direitinho, respondendo tudo em português mesmo, baixinho. Só na hora da “Paz de Cristo” é que não deu pra disfarçar. Não fazia idéia de como desejar a paz em francês, mandei em português mesmo. Mas ninguém ligou, devem estar acostumados. Achei tão interessante assistir a uma missa em outra língua que resolvi dar uma filmadinha escondido. Provavelmente não podia, mas eu queria registrar o momento, então fiz o vídeo pirata da missa assim mesmo. Tá AQUI e AQUI. O vídeo está meio mexido demais porque eu ficava segurando a câmera aleatoriamente, fingindo que eu não estava filmando. hehehehehe...


O órgão gigante
 
A "capelinha" da missa, com direito a vídeo pirata.

A St. Sulpice fica aberta ao turismo de 7h30 às 19h30 e a entrada é gratuita. Mas não sei se o padre vai gostar de te ver tirando foto do meridiano, do cartaz desmentidor ou filmando a missa. Os horários de missa eu não consegui descobrir, mas sei que às 19h tem. Na saída da St. Sulpice fomos pela sua frente, onde está também uma bela pracinha, a Place St. Sulpice, e sua fonte, a Fonte dos Quatro Cardeais.

A pracinha em frente à St. Sulpice
 


...

Bom, depois de um dia cheíssimo, era hora de comer, e próximo da St. Sulpice eu havia anotado três dicas baratas: a Pizza Positano, que fica no nº 15 da rue de Canettes; a La Créperie du Comptoir (dica do Conexão Paris), uma creperia de um conhecido chef, coladinha do metrô Odeon; e o Polidor, um restaurante onde o prato custa entre 11 e 14 euros, na rua Monsieur le Prince esquina com Racine. Entretanto, tenho que revelar uma curiosidade turística da Nanda meio tenebrosa. Apaixonada como é com Mc Donald’s (!!!), ela faz questão de provar a “iguaria” em todos os países do mundo. Para ver quais as peculiaridades e descobrir que isopor é isopor em qualquer lugar. hehehehehe... Pois bem. Nesse dia ela estava aguada. E como tinha um bem próximo ao hotel, lá fomos nós! Foi bom que rendeu história: já no templo gastronômico do seu Donaldo, eu estava meio sem saber como entender as especificidades dos sanduíches em francês. Mas eis que um dos caixas me vê com a camisa do Brasil e grita: “Brasileiro? Entra na minha fila aqui!”. Que beleza! Me conta onde não tem um brasileiro, né?! A fila dele era muito mais demorada, mas a gente resistiu bravamente. O cara ajudou a gente, explicou como era cada sanduíche e saímos dali satisfeitos com tudo embrulhadinho pra viagem para comer no quarto. E, na hora de comer... ele tinha embolado o pedido inteiro e veio tudo diferente! Pffff....

Nanda e a alta gastronomia universal

Bom, esse post me deu uma vontaade de não fazer nada... volto logo com notícias de Champs Elysées e Ópera. Salut!



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

St-Germain-des-Prés / Quartier Latin

ST. GERMAIN DES PRÉS
Pronuncia-se “san german dê prrrré”

É uma região charmosa e repleta de cafés e bistrôs, ocupa a metade norte do arrondissement 6 (veja nesse MAPA). Um passeio por aqui mostra muito do charme de Paris. Além de uma estilosa caminhada pela Boulevard Saint Germain, você ainda pode visitar aqui, fora dos domínios da avenida, ao norte, às margens do Sena, o Museu d’Orsay.


Chegando ao St-Germain-des-Prés, vindo da Île de La Cité



Boulevard Saint Germain

Um bom passeio pela região é andar ao longo de sua avenida principal, a Boulevard Saint Germain. Pode-se pegar o metrô para a estação St. Germain des Prés. Ali se encontram vários dos típicos cafés parisienses, bem como boas lojas para compras. Começando a caminhar na altura da rue des Saints Peres, a primeira rua à sua direita é a Rue du Dragon, um único quarteirãozinho, que ainda guarda casas dos séculos 17 e 18. Um achado para quem aprecia história e arquitetura.

Continuando pela Boulevard St. Germain, logo no próximo quarteirão estão três de seus célebres cafés: Brasserie Lipp (a casa do século 19 combina café com gastronomia alemã), Café de Flore (aqui se encontravam Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir) e Les Deux Magots (o chocolate quente é famoso, e, se você der sorte – ou azar – alguns dos frequentadores também). E mais à frente, na esquina com a rua Mazarine, o Le Procope (o mais antigo café do mundo, data de 1686. Por aqui sentaram Voltaire e Napoleão).

Já se a ideia for almoçar por ali, seguem dois roteiros como sugestão:
Almoce no Petit Saint Benoît, um bistrô do início do século 20 indicado por todos os melhores guias da cidade, com preços bastante acessíveis (3, 4 euros para entradas; 11 e 12 para pratos principais). Fica no número 4 da rue St. Benoît, na esquina com a rue Jacob. Aproveite e coma a sobremesa na Pascal Caffet, uma conhecida casa de chocolates. Fica na rue Jacob, esquina com a St. Benoît. Não se engane, parece o mesmo endereço, mas é invertido.
Um pouquinho mais pra frente, outra idéia é almoçar no Orestias, um restaurante com menu variando de 9 a 15 euros. Fica na rue Gregoire-de-Tours, esquina com a de Buci. E para sobremesa, um já citado sorvete na Amorino, na de Buci esquina com Gregoire-de-Tours. Endereço invertido de novo!

Ainda na Blv. St. Germain, você encontra a igreja de St-Germain-des-Prés, a mais velha de Paris. Ali estão enterrados René Descartes, um antigo rei polonês e poetas franceses. A igreja fica aberta todos os dias de 8h às 19h. Há missas diárias às 12h15 e às 19h; no sábado somente a de 12h15 e no domingo a de 19h. Ainda são realizados concertos nas terças e quintas às 20h.

Também espalhadas na famosa avenida há lojas como a Tati Or, para quem quer comprar jóias, bem como a Sephora, para perfumes e cosméticos.

Foi nessa avenida que a Nanda viu pela primeira vez em Paris alguns salões de beleza. Ficou tentadíssima a cortar o cabelo ali e chegar no Brasil tirando a maior onda de que estava com um corte de Paris, mas na hora h faltou coragem. Também foi só chegar a BH que passou a navalha, no melhor estilo parisiense!

Um brinde num boteco parisiense


Musée d’Orsay

Ao norte da Boulevard St. Germain, às margens do Sena, entre as pontes Royal e Passarelle Solferino, encontra-se o Musée d’Orsay, instalado no prédio de uma antiga estação de trem. A estaçãod e metrô mais próxima é a Solférino. É o principal museu impressionista do mundo, mas lá também fica exposta todo tipo de arte do período que vai da segunda metade do século 19 até o primeiro quarto do século 20. Pode-se destacar a forte presença de nomes como Rodin, Renoir, Gauguin, Monet, Cézanne, Van Gogh, Degas, Manet e Toulouse-Lautrec. Infelizmente, tenho de confessar que não fui ao museu. No dia em que fomos ao St-Germain-des-Prés não daria tempo. Deixamos para depois e acabou que ficou para bem depois: a próxima ida a Paris.

Mas já ficam aqui as informações que tenho: o museu funciona de terça a domingo, das 9h30 às 18h. Na quinta fica aberto até as 21h45. Fecha na segunda. Seu ingresso custa 12 euros e é combinado com o Museu Rodin, no Invalides, se forem visitados no mesmo dia. Mas o PMP, só pra variar, isenta do ingresso e das filas! Para mais detalhes, o site do Museu é esse AQUI.


QUARTIER LATIN
Pronuncia-se “cartiê latan”

Seguindo pela Boulevard Saint-Germain, ao chegar nos domínios da Boulevard Saint Michel, está o Quartier Latin, que, ocupando a metade norte do 5º arrondissement (verificar MAPA), é o bairro cultural e intelectual de Paris. Está recheado de escolas, cinemas, livrarias. A famosa Universidade de Sorbonne se encontra aqui, e também o Panteão e o Musée de Cluny.

Boulevard Saint Michel

Para passear pelo Quartier Latin, vindo de St. Germain des Prés, o melhor é virar da Blv. St. Germain na Blv. St. Michel. Tínhamos a dica de nosso amigo Felipe, vulgo “Clark Kent”, de que ali era um ótimo lugar para se comprar roupas com preços bastante acessíveis. E como era! Várias lojas com mega-promoções! Entramos em algumas delas e vimos muita coisa com preços inacreditáveis. Artigos de couro muito baratos, ternos, roupa de frio (até porque estávamos em pleno verão). Aproveitei para comprar uma malha e a Nanda comprou uma echarpe por aqui. Lembro que a minha blusa custou 9 euros. Outros preços eu não lembro não.

La Sorbonne

O Quartier Latin é também o bairro que hospeda a histórica sede da Universidade de Paris, fundada em 1253. Qual não foi minha decepção ao chegar lá e ver que as portas estavam fechadas? Não sei se era porque era agosto, mês de férias na França, e a Sorbonne resolveu seguir o exemplo da Berthillon; ou se era um fechamento para reformas, já que sua bela fachada estava “enfeitada” por andaimes. Mas o fato foi que eu tive de me virar estudando na bela pracinha em frente à universidade mesmo. Deve ser ali que a turma da Sorbonne mata aula para jogar truco.

Em frente à Sorbonne fechada


Estudando na pracinha do truco


Panteão

Impossível não fazer uma comparação com o irmão mais famoso, o panteão de Roma. Esse aqui, de 1790, não chega nem perto da idade do outro, que tem mais de 2.000 anos e está intacto. Também não impressiona tanto, porque o de Roma surge imenso e imponente no meio de vários bequinhos. O francês fez o caminho inverso do outro: começou como igreja e se transformou em panteão, abrigando os túmulos dos melhores e maiores da França. Estão sepultados aqui Voltaire, Rousseau, Victor Hugo, Jean Moulin e outros.

O Panteão abre todos os dias às 10h e fecha às 18h30 (de outubro a março fecha mais cedo, às 18h). É pago, mas adivinhe só: o PMP isenta!

Musée de Cluny

O nome hoje é Musée National du Moyen Age, mas ainda é mais conhecido como Musée de Cluny. Abriga uma bela coleção de arte medieval, com tapeçarias, entalhes, vitrais, esculturas. Mas a principal atração do museu são suas ruínas galo-romanas. Também não fomos lá, porque se você se empolgar e for a todo museu um pouco interessante de Paris, você precisa de um visto para mais de 90 dias. O Cluny fecha ás terças, abrindo nos outros dias de 9h15 às 17h45. Também é contemplado pelo PMP. Visite o SITE do museu.


...
E esses foram dois dos mais charmosos bairros de Paris: o St-Germain-des-Prés e o Quartier Latin. O próximo é o cativante Luxembourg.

Au revoir!





sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Île St. Louis / Île de la Cité

São como o marco zero da cidade. Paris já se resumiu às ilhas. Ficam onde, no MAPA, está assinalada a catedral de Notre Dame, no meio do Sena, entre os arr. 4 e 5. São bem pequenas e é bastante fácil passear por elas. Nós gastamos, uma manhã inteira ali. Comunicam-se com seus arredores (e entre si) por meio de pontes. Há várias ao longo de cada ilha e a que une as duas é a Pont St. Louis.


ÎLE ST. LOUIS
Pronuncia-se "íl'san luí"

Começando pela Île St. Louis, a menor delas, o que mais vale a pena é o passeio mesmo. É super agradável. De acordo com o mestre Ricardo Freire, nesse post aqui, o mais especial é que é uma ilha cercada de Paris por todos os lados. Possui lojinhas bem interessantes de artesanato, roupas, brechós. Algumas para procurar alguma coisa para você, outras apenas curiosidades, como uma loja enorme de marionetes que vimos por lá. Ok, a loja não era nada enorme, mas considerando que era uma loja de marionetes... fiquei me perguntando do que vive essa loja. Ou será que Paris é a Meca dos titeristas?

A enorme lojica de marionetes

A pequena ilha é um bom lugar para umas gulodices também. Estão ali duas sorveterias maravilhosas: a Berthillon, na rue St. Louis 31 e a Amorino, no número 47 da mesma rua. O mundo inteiro nos deu a dica da Berthillon. Mas a rede com o melhor sorvete de Paris, com várias lojas espalhadas pela cidade, simplesmente fecha as portas no mês de agosto. Pode? Aliás, é bom saber disso: não é só a Berthillon. Algumas lojas de pequeno porte fecham em agosto. É que agosto é o auge das férias de verão no hemisfério norte, e como Paris não é uma cidade lá muito turística, para onde ninguém viaja nas férias... eles acham por bem fechar algumas coisas por lá... Enfim. Mas também não é nada de mais. A única diferença que fez na nossa viagem inteira foi o episódio da Berthillon mesmo. Mas bem pertinho (até porque na St. Louis tudo é bem pertinho) estava a Amorino, onde tomamos deliciosos sorvetes em forma de flor! Uma outra dica de local para comer ali é o Le Flore en l’Isle. Um salão de chá, na beirada da Pont St. Louis (42, Quai d’Orleans). Aliás, essa Quai d'Orleans é recheada de cafés bacanas. Mas fica só a dica, porque eu não fui.



O dela era de Pistache du Bronti. O melhor que existe!

Outra coisa que se pode ver - não só nessa ilha, mas por toda Paris - são artistas de rua. A cidade está repleta deles. No metrô, nas pontes. Só que tem de tudo. Desde gente que te faz perguntar como eles ainda não estão famosos, até esse projeto de escocês que encontrei quando atravessava a ponte da St. Louis para a Île de La Cité, que parecia estar ainda no nível Iniciante I do conservatório da gaita de foles de Sorbonne. É só ver NESTE VÍDEO.


ÎLE DE LA CITÉ
Pronuncia-se "íl'delá citê"

Já a Île de La Cité, a irmã maior das duas (mas nem tão grande assim), é, como dizem, a própria história de Paris. Estão aí instaladas atrações como a antiquíssima e onipresente catedral de Notre Dame, a Cripta Arqueológica (escavações dos primórdios de Paris), a igreja de St. Chapelle e a Conciergerie (prisão da época da Revolução). Então vamos por partes:

Catedral de Notre-Dame

Toma conta do cenário das ilhas. É um verdadeiro monumento no meio de ilhas tão pequenas. Uma igreja de estilo gótico, belíssima. A visita já começa do lado de fora, admirando a magnitude da catedral numa das praças uma à frente e outra atrás (Square Jean XXIII ou Place du Parvis Notre Dame). Nessa última fica a entrada de turistas para a Catedral, e foi nela que encontramos um serviço de informação ao turista e compramos nosso Paris Museum Pass. Tem também uma estátua de Carlos Magno, imperador do rei dos francos que uniu os povos ocidentais e blá blá blá (ou bleus bleus bleus). Então tá!






À esquerda, Nós em frente à Notre-Dame.


À direita o grande salvador dos povos ocidentais. Valeu aí, tio!





Adentrando a igreja, começa-se pela nave central, enorme, impressionante. As laterais do altar também são muito bonitas. Mas, talvez devido ao excesso de turistas aqui e na Sacrè-Coeur, tenho de confessar que, igreja por igreja, me encantei mesmo foi com a St. Sulpice. A Notre-Dame tem também uma sala do tesouro lateral, onde se paga para entrar, e alega-se que ali está a coroa de espinhos de Cristo. Será? Não sei... não entrei.



À esquerda, a visão da nave central na entrada.



À direita, a visão da rosácea norte, do século XIII.
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Todavia, o que mais impressiona na Notre Dame não é a igreja em si, mas as suas torres. O tour pelas torres é cobrado, mas aqui, ao contrário da sala do tesouro, aceita-se o Paris Museum Pass. A entrada das torres fica na lateral da igreja, do lado voltado para o interior da ilha, mas só abre às 10h (enquanto a igreja abre às 7h45), o que faz com que se forme uma bela fila por ali. E foi justamente nesse ponto que eu descobri que não é só brasileiro que tenta dar jeitinho em tudo não. Tinha inglês, argentino, tcheco, russo, todo mundo tentando dar um tomé na fila. E os guardas tentando controlar só pioram a confusão. Infelizmente, essa fila e a da St. Chapelle são as únicas filas de que você não se livra com o PMP. E como se não bastasse, após o perrengue da fila, para chegar lá em cima você ainda tem que encarar incontáveis degraus pequenos, num espaço apertado e em espiral. 387!!! (Alguém contou, mas não fui eu). E haja perna! A Nanda, lá pro 87, começou a reclamar. E assim foi até estar de volta ao térreo... Mas vale a pena! Do alto das torres tem-se uma das mais belas vistas de Paris, com direito ao destaque da Torre Eiffel imponente no meio da cidade e à beleza da Sacrè-Coeur bem ao fundo. Ali você encontra também as famosas gárgulas (e se der sorte, dá pra ver até o Quasímodo escondido). O passeio termina com uma visita ao célebre e eterno sino Emanuel (!!!... pelo menos foi o que disseram por lá). Tem toda uma história sobre as famosas badaladas do sino e tal. E você vai adentrando a sala do sino e se emocionando em saber que está ouvindo as mesmas badaladas que circundaram a história de Napoleão, Robespierre, Victor Hugo, Luís XV, Maria Antonieta, d’Artagnan, Athos, Porthos e Aramis. Daí entra na sala para ver o sino e.......... uai! O sino está parado? Que estranho... Mas de onde vêm as badaladas? Fiquei encafifado e... touché! Ali num cantinho descobri a artimanha dos fanfarrões: um aparelho de CD, ligado, “badalando”. Humpf! Nada como a modernidade para acabar com qualquer romantismo.

Para dar uma olhada no vídeo das gárgulas e na vista de Paris, clique AQUI. E para ver a pegadinha do sino, AQUI.


Acima, as gárgulas com Paris ao fundo. Detalhe para o Sena logo abaixo e a Tour Eiffel mostrando a sua imponência.
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À esquerda, parte dos malfadados 387 degraus. E parte da Nanda reclamando.

Algumas informações básicas para terminar a Notre-Dame: abre diariamente de 7h45 às 18h45. As torres funcionam de 10h às 19h30, mas no verão é de 9h30 às 19h30, ficando abertas até as 23h nos sábados e domingos. Para entrar na igreja não se paga, mas para as torres o ingresso é pago, entretanto você fica livre com o Paris Museum Pass (que não te isenta das filas aqui e na St. Chapelle). Celebram-se missas às 8h, 12h, 18h15 nos dias de semana; e 8h30, 10h, 11h30, 12h45 e 18h30 no domingo.

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Crypte Archéologique
Bem na já citada praça em frente à Notre-Dame (a Parvis du Notre-Dame), numa entrada que leva ao subterrâneo, encontra-se a Cripta Arqueológica, que são as escavações dos primórdios de Paris. Datam de mais ou menos 2.000 anos atrás, e eram habitadas pela tribo dos Parisii (entendeu agora o nome da cidade?). A entrada também é livre com o PMP, e esse é um belo exemplo de um lugar em que eu só entrei porque o tinha. Abre de terça a domingo, das 9h30 às 18h.

As escavações da cripta. A Paris de 2.000 anos atrás.


Conciergerie
Outro local interessante de se visitar na ilha é a Conciergerie, uma antiga e temida prisão francesa (só não mais mitológica que a Bastilha), onde ficaram presos e dali foram levados à guilhotina, por exemplo, Maria Antonieta, Robespierre e Danton. Além de ver o local, você ainda pode ver uma reconstituição macabra (ou nem tanto assim) que fizeram por lá de Maria Antonieta presa em sua cela. Além disso, o porteiro é uma figura. Não lembro qual sua nacionalidade, mas era de algum lugar no Caribe. Quando me viu com a camisa do Brasil começou a falar de Chico Buarque e Gilberto Gil, dizendo que eles já estiveram ali. A Conciergerie funciona diariamente de 9h30 às 18h, e o ingresso é pago (mas seu ingresso é combinado com o da St. Chapelle). Mas adivinhem: o PMP também isenta aqui, claro! E já adianto que só vale a pena com ele também.

Vai um brioche aí?

Outros lugares para se ver na Île de La Cité são o Palais de Justice, um conjunto de prédios muito bonito que abriga um complexo de tribunais (nem precisa entrar, é só ver mesmo); a Sainte Chapelle, uma das igrejas famosas da cidade, mas que acabamos não indo pela preguiça mesmo (o ingresso é pago, o PMP isenta do preço, mas não das filas); e a Pont Neuf, uma ponte bastante bonita que fica na pontinha da Île de la Cité, ligando-a às duas margens do Sena.


O Palais de Justice

Essas são as ilhas. Lindas, charmosas, repletas de história e agradáveis de se passear. Um ótimo lugar para começar seu tour parisiense com o pé direito. Logo, logo volto com informações sobre o St. Germain des Prés e o Quartier Latin.

Au revoir!



Para entender Paris

Bonsoir!

Antes de falar dos passeios e monumentos de Paris, acho válido dar uma destrinchada na geografia da cidade. Pois bem, Paris é dividida em 20 regiões, as quais eles chamam de arrondissements. São como bairros mesmo, mas os arrondissements (pronuncia-se arrondissimã) são a divisão oficial da cidade, numerados de 1 a 20. Entretanto, alguns bairros se espalham por mais de um arrondissement, bem como há regiões que abrigam mais de um bairro.

Então comecemos pela figura abaixo:


Assim se distribuem os bairros pela cidade-luz. Os números crescem mais ou menos em forma de caracol: quanto menor o número da região, mais central. No mapa acima estão também distribuídas algumas de suas principais atrações. O rio Sena divide a cidade em duas partes básicas: norte (a margem direita) e sul (a margem esqueeeeer....... DÁÁÁ!). Além disso, há ainda, bem no meio do Sena, duas pequenas ilhas, quase unidas, ali onde está marcada a Notre Dame. E há ainda as regiões mais afastadas do centro (facilmente acessadas por trem urbano ou metrô), onde também estão algumas boas atrações.
Ok! Aula dada! Assim, toda vez que for preciso ter uma noção da distribuição dos bairros, é só voltar aqui e dar uma espiadela no desenho acima.
Se quiserem estudar um mapa com mais detalhes, coloquei um AQUI. É só clicar no "aqui" e baixar. Não coloquei no post, porque ia ficar bem pesado.
Agora já podemos começar a explorar a cidade bairro por bairro, ou "a viagem propriamente dita"!

Paris Museum Pass





Essa é uma das maravilhas que fazem sua vida très plus facile em Paris! E olha que, apesar de parecer, este post não é patrocinado! Mas se o pessoal de lá quiser, a gente faz um negocinho.

Como assim? O que é isso?
O Paris Museum Pass é um passe turístico que, ao contrário do que diz o nome, vale não só para Museus como para praticamente todas as atrações parisienses.

Uai! Quanto custa?
Há três “módulos”. O passe para dois dias (35 euros), quatro dias (50 euros) e seis dias (65 euros). Mas atenção: os dias são consecutivos. Você escreve no seu passe o dia em que começar a usar e aí é só contar o número de dias para a frente (incluindo o do começo). É só achar o seu número.

Mas vale a pena?
Ô... se vale! Vale é muito a pena! Começa pelo fato de que o passe te isenta do pagamento de ingresso de praticamente todas as atrações de Paris. Estão no passe:
Museus como Louvre, d’Orsay, Rodin, Picasso, Centre Pompidou, Cluny, Quai Branly (dentre vários outros); Versailles; o Arco do Triunfo; a Conciergerie, a Cripta e a St. Chapelle; o tour da Notre-Dame; a Cite de La Musique, o Musée du Cinema e a Cite des Sciences et de l’Industrie; o Panteão; o Invalides. E algumas outras coisas menos conhecidas.

Tirando as atrações não pagas (como os parques, avenidas, as igrejas de Sacrè-Coeur e St. Sulpice e o Cemitério Père Lachaise), acho que entre as atrações mais requisitadas só não estão incluídas no passe as subidas às torres Eiffel, de La Defense e de Mont Parnasse, os passeios de Bateaux Mouche e a Disney (obviamente). O resto foi contemplado. Na minha viagem inteira, como eu não subi a Torre Eiffel, eu só paguei meu passeio de Bateaux Mouche. Mais nada. Só com os preços dos ingressos economizados o passe já valeu a pena de longe. Só Versailles são 15 euros, Pompidou 12, Louvre 9,5, Arco do Triunfo 9, Notre-Dame 8, d’Orsay também 8. Só essas básicas 6 atrações já são 61,5 euros; e dá para fazê-las em 4 dias. E podes crer, você vai usar muito mais.

E é só isso?
Nããããão!!! Além de economizar o preço dos ingressos o passe tem um "plus a mais". Em todas as suas atrações você FURA A FILA. Fenomenal, não é? Em locais como Arco do Triunfo e Versailles, famosos por suas filas, isso é uma mão na roda. No Louvre então... você tem até uma entrada separada. As únicas exceções para a furada de fila são nas igrejas de Notre-Dame (em seu tour pelas torres) e a de Sainte Chapelle. No resto é assim mesmo!

Mas é muita informação? Como saber tudo isso?
Aaaaaah.... o passe vem com um livretinho bacana, explicando como tudo funciona, quais atrações estão incluídas, onde se fura a fila. E de quebra ainda serve como um mini guia!

Tem algo mais?
Claro, se não eu não faria essa pergunta! Outras coisas super bacanas proporcionadas pelo passe são que você se aventura a entrar em lugares pouco conhecidos no mainstream parisiense, como o Quai Branly ou a Cripta Arqueológica. Lugares que você jamais pagaria para entrar, mas... olha só: já tá pago! Daí não custa dar uma pescoçada.
Outra coisa: entrou no Centre Pompidou e achou aquilo lá uma grande baboseira (como eu!)? Não paguei os 12 euros mesmo... vambora daqui.
E mais: apaixonou com o Arco do Triunfo e quer voltar? É só voltar, já tá pago! Quer dividir sua visita ao Louvre em 3, 4, 6 pedaços? Tout Droit! Já tá pago!

Putz! Preciso disso agora! Onde eu compro?
Arrá! Não disse? Em qualquer centro de informações turísticas da cidade você compra. Chamam-se Tourist Information Area. Recomendo já procurar assim que chegar a Paris. Nos aeroportos há esses centros identificados pela letrinha “i”. No Charles de Gaulle tem em todo e qualquer terminal. No Orly, só no terminal sul.

Mas eu vou de trem, ora bolas!
Também se encontram nas principais estações (como a Gare de Lyon, Gare du Nord, Gare Mont Parnasse), para quem chegar de trem.

Mas... e se não tiver?
Palma, palma... não priemos cânico. Se tiver acabado no Tourist Information Area da sua chegada, como aconteceu comigo, não se desespere. Próximo às principais atrações também há os centros de informações, como em frente à Notre-Dame, à Tour Eiffel. Eu comprei numa banquinha do serviço de informações ao turista na praça em frente à Notre-Dame, que foi a primeira atração a que fui (fora os Bateaux-Mouche e a Torre Eiffel, no dia da chegada, mas esses não estão no pacote). E o livretinho lá ainda veio em português!!!
E mais, você também pode comprar o PMP no guichê da maioria dos museus participantes. E mais ainda: também nas lojas Fnac. Só não pode deixar de comprar!
Eles também vendem online, mas daí tem taxa de entrega. Para de valer a pena. Não sei se nas Fnac brasileiras vendem, mas é só perguntar, cara-pálida!

Ufa... obrigado!
De rien! E não se esqueça de visitar o site do Paris Museum Pass (em inglês) para dar mais uma fuçada sobre essa maravilha do universo do turista em Paris. Lá explica com detalhe como funciona, quais atrações são abrangidas, onde comprar, etc.

Já, já começo a série de posts sobre os bairros, passeios e monumentos em Paris!
Au revoir!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ah... Paris!

Olás!

Vou começar aqui a dar uma bela esmiuçada nos meus destinos de lua-de-mel: Paris, Roma, Florença, Veneza (e, de quebra, Assis e Pisa). Tanta gente me pede tantas dicas desses lugares, que achei interessante dividir aqui. Na verdade, foi esse um dos motivos que me inspirou a começar o blog.

Então, deixa de lero, que o negócio é começar logo a falar do que interessa: PARIS!!! Ah... Paris... Lune de miel... l’amour.............

Abajour soutien garçon ratatouille. Porque de glamourosa a minha chegada só teve o destino mesmo. Eu com a camisa toda mijada (pode falar isso na blogosfera?) e a Nanda com quilos de algodão no pé e andando parecendo que estava de fralda cheia. O meu problema se deu ao fato de ter viajado de BH para o Rio, onde fizemos a conexão, carregando o Bernardo, de 1 ano, filho dos nossos amigos Fê e Bruno, do Rio, que voltavam do nosso casamento para casa. Carreguei ele dormindo a viagem toda, e ele, agradecido que estava, quis me deixar uma lembrancinha para levar para Paris. Já a Nanda estava toda-toda! Ah... Paris... Lune de miel... l’amour... tinha que ir bem chique! Tacou um saltão no pé e aí encarou 1 hora de carro de BH a Confins, 3 horas de espera lá, 45 minutos de voo até o Rio, 4 horas de conexão e mais 11 até Paris. Já na conexão o pé parecia um pão gigante, desses típicos do Cupim, na BR-040. No final, andar para ela era uma tarefa tão complexa quanto para o Bernardo. Ainda tentamos comprar uma havaiana nas lojas do Rio, mas só achávamos tamanho 34 ou 38. Nada entre isso. E ela calça 36. Parecia um complô para ensinar a viajantes inexperientes que viagem longa é com calçado confortável.

Uma vez em Paris, a primeira coisa a se fazer ao chegar no aeroporto (além da peneira da imigração, é claro!) é comprar um Paris Museum Pass. Depois vou fazer um post mais detalhado sobre essa maravilha. Mas já anote aí como sua primeira obrigação.

Depois disso, é chegar ao hotel. E para isso existem várias formas, como se pode verificar AQUI. Você pode ir de táxi (fria!), trem + metrô, ônibus + táxi, ônibus + metrô. Esse site aí em cima é dos aeroportos de Paris e ensina direitinho (tanto do Charles de Gaulle quanto do Orly). Acho que tudo de táxi é caro demais, e trem + metrô não é digno depois de bater horas e horas de vôo, cheio de malas. Acho que a chegada à cidade merece uma pequena regalia. Optei por ônibus executivo + táxi. É só escolher a linha que te deixa mais próximo ao seu hotel e pegar um táxi para terminar o trajeto.

Como meu hotel era próximo à Tour Eiffel, achei a melhor opção pegar a Linha 4 do ônibus da Air France (não precisa ser passageiro da Air France para pegá-lo). Esse ônibus da linha 4 passa bem na porta de entrada de alguns terminais do Charles de Gaulle (o meu era o 2C), mas é do lado de fora mesmo. Não tem um guichê ou algo do tipo não. Então você sai do aeroporto com suas malas, espera no "ponto", ele chega, você entra e paga lá dentro. No guichê de informações do aeroporto eles explicam direitinho onde fica o "ponto". Custa 16,50 euros por pessoa (mas se comprar já com o trajeto de ida e volta, é 27). Crianças pagam 8 e bebês (até 2 anos) não pagam. Grupos de 4 passageiros ou mais têm desconto de 15%. O ônibus passa a cada 30 minutos das 6h às 22h e para na Gare de Lyon e na Gare Montparnasse (grandes estações centrais).


A chegada glamourosa e a espera pelo ônibus


Uma vez tendo chegado à estação que for mais interessante para você, pegue um táxi para o hotel. O meu táxi da Montparnasse até o hotel perto da Tour Eiffel ficou em míseros 6 euros. E ainda rendeu uma cena de filme pastelão. Ao entrar no táxi, perguntei ao motorista naquela frase padrão (e fundamental para ser bem recebido em Paris): “Bon soir. Je ne parle pas français. Do you speak English?” E ele, seco: “Non”. E mais: não era um francês. Era um africano imigrante. O que jogava por terra toda e qualquer tentativa minha de entender o francês dele com meu aprofundado estudo via Guia Folha de São Paulo. Arrisquei: “Português?” Ele só me olhou de lado. Saco! Emburrei e falei com ele: “Ibí Rotéi, Ru Cambrrrron, dê!” Quis dizer: Hotel Íbis, Rua Cambrone, dois. E lá foi ele. De vez em quando ele falava alguma coisa em francês, e eu dava aquele sorriso simpático de quem não entendeu bulhufas. Passava um tempo, ele falava de novo e eu :) Até que em determinado ponto ele foi se alterando e me perguntava coisas insistentemente num francês macarrônico, e eu pfffffff.... nada. “non parlé, non parlé”. Daí ele começou a berrar francês macarrônico, gesticulando, quase se esperneando. E a Nanda, no banco de trás, se danava de rir. E me dizia em português claríssimo: “esse cara acha que já que você não entende francês falado, quem sabe entende francês gritado!”. E assim ela ia se divertindo com meu perrengue. Até que meus hábeis ouvidos multilinguísticos captaram uma palavra solta no chilique do maluco: “NU-ME-RRÔ”! Numerrô? Número! Número! Daí fui bem claro, empunhei dois dedos bem abertos e repeti em claro e bom francês: “deux, deux, deux”. Ele se acalmou e me deixou bem na porta do hotel. Pô! Na minha instrução inicial já tinha dito o “dê”, gastando boa parte do que eu tinha treinado para falar em francês, uai! Dica: leve o endereço e o nome do hotel anotados. É melhor do que confiar no seu francês inexistente.

A favor de Paris, conta o fato de que esse foi o único cidadão que não conversou em inglês comigo. A famosa lenda de que os franceses se recusam a falar inglês não funcionou pra mim. Como descrito acima, basta vocês sempre introduzir o assunto em francês: "Bon Jour", se for de manhã; "Bon Soir", se for de tarde ou noite (pronuncia-se Bon Jur e Bon Suá, ou "é bom suar", na tradução livre da Nanda). E depois a frase-chave: "Je ne parle pas français" (jê nê parlê pá frrrancê), que significa eu não falo francês. Daí você manda "do you speak English?". Fora com o maluco do táxi, funcionou em todas as ocasiões. Desde a barraquinha de crepe até os guichês do metrô. E o dono da quitanda ao lado do hotel falava português! Maravilha!

Sobre o hotel falarei depois, num post mais específico sobre hotéis. Mas a última dica relacionada à chegada em Paris, é sobre um passeio que acho que é na medida para o primeiro dia. Primeiro dia é assim: você já bateu 11 horas de vôo, talvez já tenha dado uma boa mofada em aeroportos por causa de conexões e tempo de espera do check-in, está com 3, 4 ou 5 horas de fuso nas costas (varia de acordo com os horários de verão de cada lugar), já empurrou mala, subiu em ônibus, táxi, metrô... ou seja, está saindo de uma verdadeira maratona. Daí você chega no hotel, toma um banho, come alguma coisa (ali mesmo ou por perto) e não sobra ânimo para bater um LERÊ. Mas eis que surge um passeio no seu número: o passeio de Bateaux Mouche! Dica do meu amigo Lombardi. O nome ficou famoso aqui no Brasil por causa da tragédia de um barco com o mesmo nome que naufragou no Rio no réveillon de 88 para 89. Mas lá é o nome dado para os barquinhos que fazem um city tour pelas atrações às margens do Rio Sena. É interessante porque você tem uma visão geral de Paris, com suas principais atrações, antes de visitá-las de forma mais detalhada. E mais: faz isso sentado, descansando um pouco. Algumas das companhias que fazem isso são a Bateaux Parisiens, a Vedettes Du Pont Neuf, a Bateaux Mouche. Visite os sites para ver mais detalhes sobre o passeio, mas algumas informações eu já adianto: as partidas são a cada 30 minutos, das 10h às 22h30. Pode-se sair da Tour Eiffel ou da Notre Dame. Na verdade, não sai exatamente da Tour Eiffel (ou da Notre Dame), mas de um píer no Sena logo abaixo delas. Basta chegar à beira do rio e ver a escadinha de acesso para baixo. Inclusive, lá embaixo há o stand dessa companhia e de diversas outras por ali. É só chegar e comprar o ticket para a próxima partida. O trajeto costuma passar pelos seguintes monumentos: Museu do Louvre, Royal Bridge, Museu d’Orsay, Jardin dês Tuilleries, Concorde Bridge, Ponte Alexandre III, Palácio Chaillot, Torre Eiffel, Ponte dês Invalides, Carrousel Arc e Carrousel Bridge.


A Tour Eiffel vista de dentro do barco

A Notre Dame do barco

A Nanda curtindo o tour pelo Sena


Então é isso! Logo logo volto com mais posts sobre hotéis, passeios, transportes, etc em Paris. Enquanto isso, seguem as informações básicas de Paris:


- Dois sites imprescindíveis:
Viaje na Viagem - da maior autoridade em viagens conhecida no Brasil, Ricardo Freire. Não dá para programar uma viagem para qualquer lugar do mundo sem passar por aqui. O link aí leva direto para a página dele sobre Paris.
Conexão Paris - é o site da Maria Lina, brasileira radicada em paris que dá todas as dicas fundamentais, mainstream e underground de Paris. Dá para perder dias navegando aqui.
- Fuso horário: 4 horas à frente. Mas no nosso horário de verão, são 3; no deles (abr-out), são 5.
- Voltagem: 220V. Vale levar um adaptador de tomadas também para seus aparelhos no padrãoamericano, que é o de dois risquinhos . Porque lá o padrão é o de dois pinos (bolinhas).

- Alguns telefones:
Embaixada brasileira: 01 45 61 63 00 (endereço: 34, Cours Albert - 1er)
Banco do brasil: 01 40 53 55 00
SAMU: 15

- Horários:
Bancos - 8h30 às 16h30
Comércio - 9h às 19h
Mercearias - até 23h

- Em Paris pode-se beber a água da torneira à vontade. Inclusive há uma lei que obriga os estabelecimentos de alimentação (restaurantes, bares, bistrôs) a fornecerem gratuitamente água da torneira para seus clientes. Basta pedir: "une carrafe d'eau, s'il vous plait". Pronuncia-se: "an carraf dê, sil vu plê". Significa "uma garrafa d'água, por favor".


Bon Voyage!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ó nóis aqui traveis!




Olás! Depois de alguns meses fora do blog, agora estou de volta. A ausência é mais do que justificada, uma vez que após os posts iniciais sobre o Vila Galé em Cabo de Santo Agostinho, entramos na reta final da gravidez, com zil coisas para resolver. Daí em novembro a Nina nasceu e aí vem aquele período em que conseguir tempo para comer e tomar banho é luxo dos maiores. Depois disso fomos para BH e voltamos há duas semanas. Agora, sim, deu para deixar tudo na mais perfeita ordem e resolver tocar esse projeto do blog. Enfim... o post é só para dizer que, após 4 meses, o blog está na ativa novamente. E já, já vou começar uma série esmiuçando toda a viagem da minha lua-de-mel, feita há um ano e meio, para Paris, Roma, Florença e Veneza.


Não percam!